Programa da FAPEAM aponta que escamas do Pirarucu podem servir para revestimento de implantes ósseos Ainda sem avaliações.

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A produção de cimento ósseo retirado das escamas do Pirarucu para ser usado no revestimento de parafusos metálicos faz parte de um estudo para melhorar a densidade óssea na fixação dos implantes, principalmente no tratamento a pessoas que sofrem com a osteoporose. A pesquisa recebe o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa–Universal Amazonas, Edital Nº 006/2019, lançado pelo governador Wilson Lima.

O Universal Amazonas é um programa da Fapeam voltado para apoiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Estado do Amazonas.

O estudo coordenado pelo doutor em Ciência e Engenharia de Materiais Jean Carlos Silva Andrade, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam),  verifica as propriedades físico-químicas, bioativas e biológicas da hidroxiapatita (HA) derivadas dos resíduos de um tradicional peixe da região   amazônica, Arapaima Gigas, conhecido como Pirarucu.

Segundo o pesquisador, a utilização da escama de pirarucu como fonte de transformação de baixo custo, matéria-prima base para o desenvolvimento de   cimento ósseo bioabsorvível em revestimento para implantes, tem a possibilidade de aplicação tecnológica na indústria.

“A sociedade procura alternativas para a preservação dos recursos naturais, exigindo produtos e serviços que cumpram o fim a que se destinam, mas     que sejam produzidos com menor impacto ecológico. Para alcançar essas necessidades, o estudo interdisciplinar torna-se fundamental, conseguindo atingir a tecnologia desejada, a preservação ambiental e a eficiência da produção”, comenta Jean Carlos.

A pesquisa já apresenta resultados preliminares por meio da extração do fosfato de cálcio (CaP), de escamas do Pirarucu através do tratamento térmico alcalino (700-900ºC) e remoção de compostos orgânicos, para a produção de hidroxiapatita (HA).

escama pirarucu
Fotos: Érico Xavier/Fapeam

Pesquisas recentes demonstraram que os biomateriais cerâmicos derivados da escama de peixe (FSHA) são biologicamente melhores do que o HA quimicamente sintetizado e têm o potencial para uso como um esqueleto ósseo ou como materiais regenerativos.

“A integração osso-parafuso por intermédio de cimentos tem se mostrado uma ótima alternativa para pessoas com osteoporose, onde a densidade óssea fragiliza a fixação dos implantes. A modificação da superfície dos implantes é frequentemente necessária para melhorar as propriedades biológicas e tribológicas dos implantes metálicos”, defende o pesquisador.

De acordo com ele, os parafusos metálicos receberão revestimento de HA proveniente de escamas de peixe. O efeito da camada intermediária de revestimento HA sobre a força de adesão no substrato será investigada, assim como o desgaste do material e possíveis implicações na rejeição do implante através de corrosão e biotribocorrosão em simulação de fluido corpóreo.

Metodologia 

A escamas serão submetidas a diferentes tratamentos térmicos e termoquímicos para a remoção dos compostos orgânicos. O desenvolvimento de   hidroxiapatita granulada é de grande interesse devido à sua ampla utilização na área ortopédica e traumatológica (medicina e odontologia). No entanto,   não existem materiais disponíveis no mercado nacional com qualidade e custo vantajoso.

Além da Ufam, o estudo envolve pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e   Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Fonte: Por Valdete Araújo via FAPEAM

Fotos: Érico Xavier/Fapeam

Considerações finais

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